Do rústico ao sublime.
Ontem, 11/06/2016
estreou a peça YAYÁ, com a Cia Teatro Humanóide, numa casa
"convencional" transformada em espaço cênico - A Casa Oficina, em
Taubaté/SP, gerida pelo Felipe Resende (IFI), artista multifacetado e
agregador de artistas das mais variadas linguagens.
A peça trata
da biografia de Sebastiana de Melo Freire, conhecida como Dona Yayá
(aristocrata brasileira, membro de uma das mais importantes famílias do
interior paulista, nascida em 1887 em Mogi das Cruzes e falecida em
1961 em São Paulo), mesclando realidade e ficção. Foi escrita por
Jefferson Machado (que também assina a direção), Luciana Camargo e
Cristiane Credídio que debruçaram-se sobre a pesquisa durante 6 meses
até chegarem à dramaturgia atual. O que é fictício ou o que foi real
não importam, pois como diz o próprio programa da peça entregue antes do
início da apresentação
" [...] Duas histórias, Dona Yayá e
Sapatinhos Vermelhos, se fundem para falar da alma feminina, da alma
faminta da mulher, da mulher subjugada numa cultura machista onde a
criatividade foi sufocada e então submerge a loucura como escape às
fatalidades das tragédias humanas."
Sem patrocínio nem qualquer
apoio financeiro, a peça foi produzida com recursos próprios das atrizes
e com o apoio de pessoas que acreditaram na ideia e, por consequência,
se tornaram co-criadores e fomentadores deste EVENTO artístico.
Sim, EVENTO, porque antes de mais nada é preciso CELEBRAR a
concretização desta realização artística num espaço não-convencional,
com artistas e agregados integrados, única e exclusivamente, pelo desejo
da criação, numa cidade cujos artistas quase nunca obtêm apoio das
autoridades “competentes”.
GOSTO do teatro (rústico) que não
enche os olhos com belos cenários, figurinos rebuscados e etc, mas
estimula a imaginação (sublime) do espectador. Em YAYÁ, do pouco se faz
muito - todos os artifícios estão aos olhos do espectador, tudo se
revela, se transforma; o jogo cênico entre as atrizes (viscerais, em
carne viva) dá a dimensão da vida desta mulher, respaldado pela direção
do Jefferson Machado, pela dramaturgia, pela trilha sonora original
(Gustavo Lessa e Lucas Bernoldi), pelo desenho de luz (Olavo Cadorini),
pela estrutura cenográfica (Djanilson Romário e Jean Carlo Correa), pela
escolha dos poucos objetos cênicos, dos figurinos e demais elementos.
Além disso, o público – composto por, no máximo, 30 pessoas - está
disposto próximo à ação, o que faz com que todos se sintam parte
integrante da história, pois é possível sentir a pulsação das atrizes.
YAYÁ, certamente inspira e transpira esta peça!
Eu sabia quase nada da história de Dona Yayá, apenas tinha conhecimento
de sua casa no Bairro do Bixiga transformada em Centro de Preservação
Cultural da Universidade de São Paulo. Entrei para assistir ao
espetáculo como uma folha em branco. Saí com algumas páginas escritas e
outras para ainda completar, provocado,
instigado, estimulado pela fruição deste trabalho; saí com vontade de conhecer mais sobre
sua vida; saí refletindo o quanto os temas tratados na peça ainda são
atuais, pulsantes, enraizados - estamos falando dos anos 1887 a 1961.
Teatro Humanóide, parabéns por honrar o Teatro, por respeitar este
espaço sagrado e profano, por compartilhar o talento, a dedicação e a
sensibilidade dos seus artistas.
IFI e sua Casa Oficina - obrigado por propiciar a integração das linguagens da Arte.
EVOÉ!!!!!!!
Informe-se sobre as próximas datas pelos links abaixo.
Jonathan Faria é ator, diretor, artista plástico, arte educador,
aikidoísta, terapeuta corporal em formação, apaixonado pelas artes.
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